sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Vinícius de Morais



Vinícius nasceu em 19 de outubro de 1913 no Rio de Janeiro no bairro do Jardim Botânico. Seu nome completo era Marcus Vinitius da Cruz de Melo Moraes, sua mãe Lydia Cruz de Moraes e seu pai Clodoaldo Pereira da Silva Moraes. 

Em 1922 Vinícius escreve seus primeiros versos. 1922 é marcado pela Semana de Arte Moderna em São Paulo, do Centenário da Independência comemorado no Rio de Janeiro e do levante dos 18 do Forte de Copacabana. 

Escreve as primeiras canções com Paulo, Haroldo e Oswaldo Tapajós. “Com Haroldo Tapajós faz “Loura ou Morena” e, com Paulo Tapajós, “Canção da noite” (um "fox-trot brasileiro" e uma "berceuse", segundo a definição do próprio Vinicius).” 

Em 1929 torna-se bacharel em Letras pelo Colégio Santo Inácio. Volta a morar no Jardim Botânico. 

Com 17 anos no ano de 1930 entra na Faculdade de Direito. Vinicius conhece Otávio de Faria e San Thiago Dantas, além de companheiros como Américo Lacombe, Hélio Viana, Plinio Doyle, Chermont de Miranda e Antonio Galloti. 

Publica em 1932 na revista A Ordem pela primeira vez um poema de sua autoria. 

Seu primeiro O caminho para a distância (1933) foi publicado pela Schmidt Editora. Em 1935 publica pela editora Irmãos Pongetti seu segundo livro, Forma e Exegese. Conquista o prêmio Filipe d’Oliveira. “O livro recebe, na época, comentários positivos de Manuel Bandeira.”

Em 1936 conhece Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade, dos quais se torna amigo. 

Ganha bolsa para estudar a língua Inglesa em Oxford em 1938. Trabalha na BBC. 

“No ano de 1946, assume seu primeiro posto diplomático: vice-consul do Brasil em Los Angeles, Califórnia (USA). Ali permanece por quase cinco anos, sem retornar ao seu país. Publica, em edição de luxo, com ilustrações de Carlos Leão, seu livro, Poemas, sonetos e baladas”. 

Em 1954, Sai da primeira edição de sua Antologia Poética. A revista "Anhembi" publica Orfeu da Conceição

O Operário em Construção foi publicado em 1956. O Livro de Sonetos foi publicado em 1957. 

Em 1970 inicia sua parceria produtiva com Toquinho.

No dia 9 de julho de 1980 morre de edema pulmonar. 

É claro que muitas outras obras de Vinícius foram publicadas, inclusive postumamente, mas essa breve biografia demonstra a importância de Vinícius na Arte brasileira, tanto na literatura quanto no mundo da música.


Pátria Minha
A minha pátria é como se não fosse, é íntima
Doçura e vontade de chorar; uma criança dormindo
É minha pátria. Por isso, no exílio
Assistindo dormir meu filho
Choro de saudades de minha pátria.
Se me perguntarem o que é a minha pátria direi:
Não sei. De fato, não sei
Como, por que e quando a minha pátria
Mas sei que a minha pátria é a luz, o sal e a água
Que elaboram e liquefazem a minha mágoa
Em longas lágrimas amargas.
Vontade de beijar os olhos de minha pátria
De niná-la, de passar-lhe a mão pelos cabelos…
Vontade de mudar as cores do vestido (auriverde!) tão feias
De minha pátria, de minha pátria sem sapatos
E sem meias pátria minha
Tão pobrinha!
Porque te amo tanto, pátria minha, eu que não tenho
Pátria, eu semente que nasci do vento
Eu que não vou e não venho, eu que permaneço
Em contato com a dor do tempo, eu elemento
De ligação entre a ação e o pensamento
Eu fio invisível no espaço de todo adeus
Eu, o sem Deus!
Tenho-te no entanto em mim como um gemido
De flor; tenho-te como um amor morrido
A quem se jurou; tenho-te como uma fé
Sem dogma; tenho-te em tudo em que não me sinto a jeito
Nesta sala estrangeira com lareira
E sem pé-direito.
Ah, pátria minha, lembra-me uma noite no Maine, Nova Inglaterra
Quando tudo passou a ser infinito e nada terra
E eu vi alfa e beta de Centauro escalarem o monte até o céu
Muitos me surpreenderam parado no campo sem luz
À espera de ver surgir a Cruz do Sul
Que eu sabia, mas amanheceu…
Fonte de mel, bicho triste, pátria minha
Amada, idolatrada, salve, salve!
Que mais doce esperança acorrentada
O não poder dizer-te: aguarda…
Não tardo!
Quero rever-te, pátria minha, e para
Rever-te me esqueci de tudo
Fui cego, estropiado, surdo, mudo
Vi minha humilde morte cara a cara
Rasguei poemas, mulheres, horizontes
Fiquei simples, sem fontes.
Pátria minha… A minha pátria não é florão, nem ostenta
Lábaro não; a minha pátria é desolação
De caminhos, a minha pátria é terra sedenta
E praia branca; a minha pátria é o grande rio secular
Que bebe nuvem, come terra
E urina mar.
Mais do que a mais garrida a minha pátria tem
Uma quentura, um querer bem, um bem
Um libertas quae sera tamem
Que um dia traduzi num exame escrito:
“Liberta que serás também”
E repito!
Ponho no vento o ouvido e escuto a brisa
Que brinca em teus cabelos e te alisa
Pátria minha, e perfuma o teu chão…
Que vontade de adormecer-me
Entre teus doces montes, pátria minha
Atento à fome em tuas entranhas
E ao batuque em teu coração.
Não te direi o nome, pátria minha
Teu nome é pátria amada, é patriazinha
Não rima com mãe gentil
Vives em mim como uma filha, que és
Uma ilha de ternura: a Ilha
Brasil, talvez.
Agora chamarei a amiga cotovia
E pedirei que peça ao rouxinol do dia
Que peça ao sabiá
Para levar-te presto este avigrama:
“Pátria minha, saudades de quem te ama…
Vinicius de Moraes.”
 


Fonte: 

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