“Ao Verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico
como saudosa lembrança estas Memórias
Póstumas”
Assim se inicia Memórias Póstumas de Brás Cubas de Machado
de Assis que conta a história de Brás Cubas descrita por ele mesmo depois de
morto. A obra de Machado de Assis é um marco inaugural do Realismo no Brasil e
apresenta uma riqueza de detalhes nas descrições dos personagens, das suas
emoções e do seu psicológico.
O livro é narrado em primeira pessoa. O narrador se intitula
defunto-autor porque conta a sua história após a sua morte e não antes dela.
Brás Cubas expõe suas opniões sobre as hipocrisias da sociedade.
Além de apresentar as características básicas do Realismo como
críticas à sociedade, descrição detalhada das cenas e dos personagens, Machado
chama a atenção do leitor com diálogos entre autor e o leitor que muitas vezes
tem um tom de provocação. Durante todo o livro são feitas citações e
referências às obras Clássicas.
A história começa com Brás Cubas descrevendo seu velório. Poucas
pessoas foram ao seu enterro e chuvia muito.
Brás Cubas morreu aos 64 anos vítima de pneumonia. Enquanto estava
com a “ideia fixa” de criar um remédio milagroso que, segundo o autor curaria a
melancolia da sociedade e que ele iria ser lembrado eternamente. Morreu
solteiro e rico pensando ser afortunado por nunca ter precisado trabalhar para
ser sustentar.
Voltando no tempo, Brás Cubas descreve seu nascimento e sua
infância, passando pela sua estadia em Lisboa e suas viagens pela Europa. Na
sua juventude teve amores: Marcela, que amava presentes caros; Eugênia, que era
bonita, mas coxa e Virgília que fora seu maior amor e era casada.
Quando a mãe de Brás Cubas morreu, seu pai quis que ele se casasse
e se tornasse deputado. Brás Cubas conheceu Virgília. Mas Virgília escolheeu se
casar com Lobo Neves o que irritou profundamente o pai de Brás Cubas que morreu
logo após o episódio.
Após muitos anos Virgília e Brás Cubas se reencontram e percebem
que ainda estão apaixonados e se tornam amantes. Lobo Neves nunca desconfiou da
traição do casal. Virgília foi a única mulher que acompanhou sua morte e seu
velório.
A crítica da sociedade deste livro é feita de dentro da
própria burguesia e ao mesmo tempo de uma pessoa que já não faz parte da
sociedade, pois está morta. Morto Brás Cubas agora vê as coisas por outro
ângulo e consegue ver as hipocrisias da sociedade e fazer críticas sinceras,
pois na sua condição de morto não há porque esconder as situações.

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