segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Paul Verlaine – Arte Poética


O francês Verlaine (1884-1896) nasceu em Metz e estudou em Paris. Sua biografia é considerada “atribulada e escandalosa”.

Arte Poética ou no original “Art poétique” de Verlaine escrito em 1874 e publicado pela primeira vez em novembro de 1882 marcou o início do Simbolismo.

Vem para superar o parnasianismo com características que já dava a direção do simbolismo como o pessimismo decadentista.


ARTE POÉTICA

Antes de qualquer coisa, música
e, para isso, prefere o impar
mais vago e mais solúvel no ar,
sem nada que pese ou que pouse.

É preciso também que não vás nunca
escolher tuas palavras sem ambiguidade:
nada mais caro que a canção cinzenta
onde o Indeciso se junta ao Preciso.

São belos os olhos dos véus,
é o grande dia trêmulo de meio-dia,
é através do céu morno de outono,
o azul desordenado das claras estrelas!

Porque nós ainda queremos o Matiz,
nada de Cor, nada a não ser o Matiz!
Oh! o matiz único que liga
o sonho ao sonho e a flauta a trompa.

Foge para longe da Piada assassina,
do espírito cruel e do Riso impuro
que fazem chorar os olhos do Azul
e todo esse alho de baixa cozinha!

Toma a eloquência e torce-lhe o pescoço!
Tu farás bem, já que começaste,
em tornar a rima um pouco razoável.
Se não a vigiarmos, até onde ela irá?

Oh! quem dirá os malefícios da Rima?
Que criança surda ou que negro louco
nos forjou está joia barata
que soa oca e falsa sob a lima?

Ainda e sempre, música!
Que teu verso seja a coisa volátil
que se sente fugir de uma alma em voo
para outros céus e para outras paixões.

Que teu verso seja bom acontecimento
esparso no vento crispado da manhã
que vai florindo a hortelã e o timo....
E tudo o mais é só literatura.

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