O francês Verlaine (1884-1896) nasceu em Metz e estudou
em Paris. Sua biografia é considerada “atribulada e escandalosa”.
Arte
Poética ou no original “Art
poétique” de Verlaine escrito em 1874 e publicado pela primeira vez em
novembro de 1882 marcou o início do Simbolismo.
Vem para superar o
parnasianismo com características que já dava a direção do simbolismo como o
pessimismo decadentista.
ARTE POÉTICA
Antes
de qualquer coisa, música
e,
para isso, prefere o impar
mais
vago e mais solúvel no ar,
sem
nada que pese ou que pouse.
É
preciso também que não vás nunca
escolher
tuas palavras sem ambiguidade:
nada
mais caro que a canção cinzenta
onde
o Indeciso se junta ao Preciso.
São
belos os olhos dos véus,
é
o grande dia trêmulo de meio-dia,
é
através do céu morno de outono,
o
azul desordenado das claras estrelas!
Porque
nós ainda queremos o Matiz,
nada
de Cor, nada a não ser o Matiz!
Oh!
o matiz único que liga
o
sonho ao sonho e a flauta a trompa.
Foge
para longe da Piada assassina,
do
espírito cruel e do Riso impuro
que
fazem chorar os olhos do Azul
e
todo esse alho de baixa cozinha!
Toma
a eloquência e torce-lhe o pescoço!
Tu
farás bem, já que começaste,
em
tornar a rima um pouco razoável.
Se
não a vigiarmos, até onde ela irá?
Oh!
quem dirá os malefícios da Rima?
Que
criança surda ou que negro louco
nos
forjou está joia barata
que
soa oca e falsa sob a lima?
Ainda
e sempre, música!
Que
teu verso seja a coisa volátil
que
se sente fugir de uma alma em voo
para
outros céus e para outras paixões.
Que
teu verso seja bom acontecimento
esparso
no vento crispado da manhã
que
vai florindo a hortelã e o timo....
E
tudo o mais é só literatura.

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