segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Vidas Secas - Graciliano Ramos

Vidas Secas é o quarto livro do escritor Brasileiro, Graciliano Ramos, escrito em 1938.
Graciliano Ramos de Oliveira (Quebrangulo, Alagoas  27 de outubro de 1892 — Rio de Janeiro, 20 de março de 1953) foi um romancista, cronista, contista, jornalista, político e memorialista brasileiro do século XX.
Deixemos que o próprio Graciliano Ramos fale sobre o que ele pensava de si aos 56 anos.




Auto-retrato aos 56 anos

Nasceu em 1892, em Quebrangulo, Alagoas.
Casado duas vezes, tem sete filhos.
Altura 1,75.
Sapato n.º 41.
Colarinho n.º 39.
Prefere não andar.
Não gosta de vizinhos.
Detesta rádio, telefone e campainhas.
Tem horror às pessoas que falam alto.
Usa óculos. Meio calvo.
Não tem preferência por nenhuma comida.
Não gosta de frutas nem de doces.
Indiferente à música.
Sua leitura predileta: a Bíblia.
Escreveu "Caetés" com 34 anos de idade.
Não dá preferência a nenhum dos seus livros publicados.
Gosta de beber aguardente.
É ateu. Indiferente à Academia.
Odeia a burguesia. Adora crianças.
Romancistas brasileiros que mais lhe agradam: Manoel Antônio de Almeida, Machado de Assis, Jorge Amado, José Lins do Rego e Rachel de Queiroz.
Gosta de palavrões escritos e falados.
Deseja a morte do capitalismo.
Escreveu seus livros pela manhã.
Fuma cigarros "Selma" (três maços por dia).
É inspetor de ensino, trabalha no “Correio do Manhã”.
Apesar de o acharem pessimista, discorda de tudo.
Só tem cinco ternos de roupa, estragados.
Refaz seus romances várias vezes.
Esteve preso duas vezes.
É-lhe indiferente estar preso ou solto.
Escreve à mão.
Seus maiores amigos: Capitão Lobo, Cubano, José Lins do Rego e José Olympio.
Tem poucas dívidas.
Quando prefeito de uma cidade do interior, soltava os presos para construírem estradas.
Espera morrer com 57 anos.
(Graciliano Ramos)

O seu livro de maior sucesso, conta a história de um povo Alagoano, sofrido, que vivia em condições de miséria, trabalhando em fazendas para retirar dos restos, sua própria subsistência.

Toda trama se passa por Fabiano, Sinhá Vitória, seus dois filhos (que não recebem nome por todo o livro) chamados de filho mais velho e filho mais novo, a cadela, fiel escudeira, chamada Baleia. Aparecem ainda, personagem secundários como o Fazendeiro e o soldado amarelo.

O livro foi inicialmente um conto, sobre a cachorra Baleia. Novos contos foram surgindo e assim foi compilada a obra. Sendo assim, todo o livro foi dividido em vários contos, de forma que a leitura separada dos capítulos possibilita a compreensão, ainda que, os capítulos se relacionem mutuamente.

A história começa com essa família fugindo de uma seca, procurando novas terras, que lhe ofereçam ao menos, uma sensação de esperança, representando a miséria do povo Nordestino. Fabiano, destacado no capítulo seguinte, é um homem rude, de pouca fala, ignorante e extremamente machista. O autor trabalha muito o pensamento dos personagens e é de se espantar o quanto aprendemos sobre eles, sem que eles pronunciem falas longas.

Sinhá vitória, mulher simples, submissa. Sonhava apenas com uma cama de couro. O filho mais novo era o espelho do pai. A certeza que essa história continuaria. O mais velho queria conhecer sobre o inferno.  Como nem Sinhá Vitória e nem Fabiano sabiam lhe responder. Mandavam o menino abandonar essa ideia. Esse menino é o retrato da ignorância do povo nordestino.

Baleia passava por toda a luta da família, sendo companheira fiel. Graciliano consegue encantar qualquer leitor com a descrição da cadela. Talvez, ela seja o ponto central da trama.

O livro, por fim termina da mesma forma que começou. A família de Fabiano abandonando a fazenda e indo procurar sustento em outra. E a dúvida que restava:

“Será que algum dia o sertão vira mar?”


Graciliano é mestre, e esta obra é eterna. Clássica. E merece de nós toda atenção e prestígio. Um livro indispensável.

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